Mitos e Verdades · Técnica Cirúrgica
Operar o tórax exige sempre cortes grandes?
A imagem clássica de uma grande cicatriz no peito ainda assusta muita gente — mas não reflete mais como a maioria das cirurgias torácicas é feita hoje.
Mito
"Cirurgia de tórax é sempre um corte enorme"
Durante décadas, essa imagem foi verdade: a toracotomia — a cirurgia aberta clássica — exige um corte extenso entre as costelas, com afastamento delas para o cirurgião acessar o tórax. É uma cirurgia eficaz, mas com dor pós-operatória significativa e recuperação mais longa.
Hoje, porém, essa não é mais a regra. A grande maioria dos procedimentos torácicos — de ressecção de nódulos a simpatectomias, passando por lobectomias para câncer de pulmão — é feita por técnicas minimamente invasivas, com incisões de milímetros a poucos centímetros.
As três abordagens
Aberta, VATS e robótica
| Técnica | Incisão | Quando é usada hoje |
|---|---|---|
| Cirurgia aberta (toracotomia) | 15–25 cm, com afastamento de costelas | Casos muito extensos, aderências severas, ou conversão por segurança |
| Videotoracoscopia (VATS) | 2 a 4 incisões de 5–15 mm | A maioria dos procedimentos torácicos atuais |
| Cirurgia robótica | Poucas incisões de 8–12 mm | Casos que exigem maior precisão em espaços estreitos |
A câmera fez a diferença
A grande mudança começou com o toracoscópio — uma câmera de alta definição que permite ao cirurgião visualizar o interior do tórax em uma tela, sem precisar de uma abertura grande para "ver" diretamente. É essa tecnologia que sustenta tanto a VATS quanto a cirurgia robótica.
Verdade
A cirurgia aberta ainda existe — e às vezes é a certa
Não se trata de dizer que a cirurgia aberta é ultrapassada ou nunca deve ser usada. Ela continua sendo a escolha certa em situações específicas: tumores muito extensos ou em locais de difícil acesso minimamente invasivo, aderências severas de cirurgias torácicas anteriores, ou quando surge uma intercorrência durante uma cirurgia minimamente invasiva que exige conversão imediata para garantir a segurança do paciente.
A decisão sobre qual técnica usar é sempre feita caso a caso — priorizando a abordagem menos invasiva possível, mas sem abrir mão da segurança quando as circunstâncias exigem outra estratégia.
Perguntas frequentes
Tirando mais dúvidas
Não. A maioria das cirurgias torácicas hoje é feita por videotoracoscopia (VATS) ou cirurgia robótica, com incisões pequenas de poucos milímetros a centímetros.
Em tumores muito extensos, aderências severas de cirurgias anteriores, ou complicações durante a cirurgia minimamente invasiva que exigem conversão para maior segurança.
Não. Ambas são minimamente invasivas e usam câmera, mas na robótica o cirurgião controla braços robóticos com instrumentos articulados e visão 3D, ampliando a precisão em movimentos delicados.
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Autor do artigo
Dr. André Miotto
Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Especialista em Cirurgia Robótica — IRCAD e CBC
CRM 139035-SP · RQE 58276
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