Mitos e Verdades · Técnica Cirúrgica

Operar o tórax exige sempre cortes grandes?

A imagem clássica de uma grande cicatriz no peito ainda assusta muita gente — mas não reflete mais como a maioria das cirurgias torácicas é feita hoje.

🗓 2 de agosto de 2026 ✍️ Dr. André Miotto · CRM 139035-SP · RQE 58276 ⏱ Leitura: ~5 min
5–12mm
tamanho típico das incisões minimamente invasivas
3
tipos de abordagem: aberta, VATS, robótica
menos dor e internação mais curta
Exceção
frequência da cirurgia aberta hoje

Dr. André Miotto · Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP · CRM 139035-SP · RQE 58276

"Cirurgia de tórax é sempre um corte enorme"

Durante décadas, essa imagem foi verdade: a toracotomia — a cirurgia aberta clássica — exige um corte extenso entre as costelas, com afastamento delas para o cirurgião acessar o tórax. É uma cirurgia eficaz, mas com dor pós-operatória significativa e recuperação mais longa.

Hoje, porém, essa não é mais a regra. A grande maioria dos procedimentos torácicos — de ressecção de nódulos a simpatectomias, passando por lobectomias para câncer de pulmão — é feita por técnicas minimamente invasivas, com incisões de milímetros a poucos centímetros.

Aberta, VATS e robótica

TécnicaIncisãoQuando é usada hoje
Cirurgia aberta (toracotomia)15–25 cm, com afastamento de costelasCasos muito extensos, aderências severas, ou conversão por segurança
Videotoracoscopia (VATS)2 a 4 incisões de 5–15 mmA maioria dos procedimentos torácicos atuais
Cirurgia robóticaPoucas incisões de 8–12 mmCasos que exigem maior precisão em espaços estreitos

A câmera fez a diferença

A grande mudança começou com o toracoscópio — uma câmera de alta definição que permite ao cirurgião visualizar o interior do tórax em uma tela, sem precisar de uma abertura grande para "ver" diretamente. É essa tecnologia que sustenta tanto a VATS quanto a cirurgia robótica.

A cirurgia aberta ainda existe — e às vezes é a certa

Não se trata de dizer que a cirurgia aberta é ultrapassada ou nunca deve ser usada. Ela continua sendo a escolha certa em situações específicas: tumores muito extensos ou em locais de difícil acesso minimamente invasivo, aderências severas de cirurgias torácicas anteriores, ou quando surge uma intercorrência durante uma cirurgia minimamente invasiva que exige conversão imediata para garantir a segurança do paciente.

A decisão sobre qual técnica usar é sempre feita caso a caso — priorizando a abordagem menos invasiva possível, mas sem abrir mão da segurança quando as circunstâncias exigem outra estratégia.

Antes de qualquer cirurgia torácica, vale perguntar diretamente ao cirurgião qual técnica está planejada e por quê — é uma pergunta legítima e a resposta ajuda a entender o que esperar da recuperação.

Tirando mais dúvidas

POperar o tórax exige sempre cortes grandes?

Não. A maioria das cirurgias torácicas hoje é feita por videotoracoscopia (VATS) ou cirurgia robótica, com incisões pequenas de poucos milímetros a centímetros.

PQuando a cirurgia aberta ainda é necessária?

Em tumores muito extensos, aderências severas de cirurgias anteriores, ou complicações durante a cirurgia minimamente invasiva que exigem conversão para maior segurança.

PVATS e cirurgia robótica são a mesma coisa?

Não. Ambas são minimamente invasivas e usam câmera, mas na robótica o cirurgião controla braços robóticos com instrumentos articulados e visão 3D, ampliando a precisão em movimentos delicados.

Dr. André Miotto — cirurgião torácico EPM/UNIFESP

Autor do artigo

Dr. André Miotto

Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Especialista em Cirurgia Robótica — IRCAD e CBC

CRM 139035-SP  ·  RQE 58276

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