Série Cirurgia Torácica 4.0
Tecnologia a serviço da precisão
Reconstrução 3D, fluorescência intraoperatória, segmentectomia guiada e navegação broncoscópica: veja como a tecnologia está mudando o que é possível em cirurgia torácica.
Por que isso importa
Menos improviso, mais planejamento
Durante muitos anos, cirurgiões planejavam procedimentos complexos analisando dezenas de imagens bidimensionais da tomografia, um pulmão que só era realmente "conhecido" no momento da cirurgia.
Isso mudou. Um conjunto de tecnologias — reconstrução 3D, fluorescência intraoperatória, navegação broncoscópica — permite hoje planejar cada cirurgia com um nível de detalhe individualizado que não existia há poucos anos. A tecnologia não substitui o conhecimento anatômico e a experiência do cirurgião; ela amplia o que é possível fazer com segurança.
As 4 tecnologias
O que muda na prática
1 · Planejamento
Reconstrução tridimensional (3D)
Com a reconstrução 3D, a tomografia é transformada em um modelo virtual do pulmão do próprio paciente. Nesse modelo, é possível visualizar com precisão a árvore brônquica, as artérias e veias pulmonares e a localização exata do nódulo ou tumor.
Essa tecnologia permite um planejamento cirúrgico muito mais detalhado, especialmente em procedimentos minimamente invasivos como a cirurgia robótica e a videotoracoscopia — ajudando a compreender a anatomia individual de cada paciente, planejar ressecções mais precisas e preservar mais tecido pulmonar saudável quando possível.
2 · Execução
Fluorescência com indocianina verde (ICG)
Durante a cirurgia, é possível "acender uma luz" para enxergar estruturas normalmente invisíveis a olho nu. A indocianina verde (ICG), administrada na corrente sanguínea, pode ser visualizada por câmeras especiais acopladas aos sistemas robóticos e de videotoracoscopia.
Uma das aplicações mais importantes é durante as segmentectomias pulmonares: depois de interromper o fluxo sanguíneo do segmento a ser removido, a fluorescência evidencia o pulmão que continua bem perfundido, delimitando com precisão o plano de ressecção — ajudando a preservar mais tecido saudável e planejar ressecções cada vez mais individualizadas.
3 · Ressecção
Segmentectomia anatômica: menos pode ser mais
Durante muitos anos, a cirurgia para o câncer de pulmão consistia, na maioria das vezes, na retirada de um lobo inteiro. Hoje, graças ao diagnóstico mais precoce e aos avanços tecnológicos, isso mudou: em pacientes cuidadosamente selecionados, é possível realizar uma segmentectomia anatômica — a retirada apenas do segmento pulmonar que contém o tumor, preservando o restante do pulmão.
O objetivo não é apenas remover o câncer, mas tratar a doença preservando a maior quantidade possível de pulmão saudável, sempre que isso for seguro do ponto de vista oncológico.
4 · Diagnóstico
Navegação broncoscópica: um "GPS" dentro do pulmão
Com o avanço da tomografia, diagnosticamos nódulos pulmonares cada vez menores — uma ótima notícia, já que quanto menor o tumor no momento do diagnóstico, maiores as chances de tratamento curativo. Mas surge um desafio: como localizar um nódulo de poucos milímetros, muitas vezes escondido no interior do pulmão?
A navegação broncoscópica usa reconstruções tridimensionais da árvore brônquica e sistemas de navegação semelhantes a um GPS para conduzir o broncoscópio até regiões muito periféricas do pulmão, auxiliando biópsias e, em alguns centros, a marcação pré-operatória de nódulos a serem removidos por cirurgia minimamente invasiva.
A tecnologia é uma ferramenta, não o objetivo
Nenhuma dessas tecnologias substitui o conhecimento anatômico, a experiência cirúrgica e a tomada de decisão do cirurgião. Elas existem para ampliar a precisão, reduzir a agressão cirúrgica e permitir tratamentos cada vez mais individualizados — não para "impressionar".
Perguntas frequentes
Tirando mais dúvidas
É uma técnica que usa um contraste fluorescente, visualizado por câmeras especiais, para mostrar a perfusão sanguínea do pulmão em tempo real durante a cirurgia. Ajuda a delimitar com precisão o segmento pulmonar que será removido em uma segmentectomia.
Não. Em pacientes selecionados, com tumores pequenos e bem localizados, é possível realizar uma segmentectomia anatômica, retirando apenas o segmento pulmonar comprometido e preservando o restante do pulmão saudável.
Utilizando reconstruções tridimensionais da árvore brônquica e sistemas de navegação semelhantes a um GPS, é possível guiar o broncoscópio até regiões periféricas do pulmão para biópsia ou marcação pré-operatória de nódulos pequenos.
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Autor do artigo
Dr. André Miotto
Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Especialista em Cirurgia Robótica — IRCAD e CBC
CRM 139035-SP · RQE 58276
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