Série Cirurgia Torácica 4.0

Tecnologia a serviço da precisão

Reconstrução 3D, fluorescência intraoperatória, segmentectomia guiada e navegação broncoscópica: veja como a tecnologia está mudando o que é possível em cirurgia torácica.

🗓 5 de agosto de 2026 ✍️ Dr. André Miotto · CRM 139035-SP · RQE 58276 ⏱ Leitura: ~7 min
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tecnologias explicadas neste guia
3D
reconstrução do pulmão a partir da tomografia
ICG
fluorescência que mostra a perfusão em tempo real
mm
precisão da navegação broncoscópica

Dr. André Miotto · Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP · CRM 139035-SP · RQE 58276

Menos improviso, mais planejamento

Durante muitos anos, cirurgiões planejavam procedimentos complexos analisando dezenas de imagens bidimensionais da tomografia, um pulmão que só era realmente "conhecido" no momento da cirurgia.

Isso mudou. Um conjunto de tecnologias — reconstrução 3D, fluorescência intraoperatória, navegação broncoscópica — permite hoje planejar cada cirurgia com um nível de detalhe individualizado que não existia há poucos anos. A tecnologia não substitui o conhecimento anatômico e a experiência do cirurgião; ela amplia o que é possível fazer com segurança.

O que muda na prática

1 · Planejamento

Reconstrução tridimensional (3D)

Com a reconstrução 3D, a tomografia é transformada em um modelo virtual do pulmão do próprio paciente. Nesse modelo, é possível visualizar com precisão a árvore brônquica, as artérias e veias pulmonares e a localização exata do nódulo ou tumor.

Essa tecnologia permite um planejamento cirúrgico muito mais detalhado, especialmente em procedimentos minimamente invasivos como a cirurgia robótica e a videotoracoscopia — ajudando a compreender a anatomia individual de cada paciente, planejar ressecções mais precisas e preservar mais tecido pulmonar saudável quando possível.

2 · Execução

Fluorescência com indocianina verde (ICG)

Durante a cirurgia, é possível "acender uma luz" para enxergar estruturas normalmente invisíveis a olho nu. A indocianina verde (ICG), administrada na corrente sanguínea, pode ser visualizada por câmeras especiais acopladas aos sistemas robóticos e de videotoracoscopia.

Uma das aplicações mais importantes é durante as segmentectomias pulmonares: depois de interromper o fluxo sanguíneo do segmento a ser removido, a fluorescência evidencia o pulmão que continua bem perfundido, delimitando com precisão o plano de ressecção — ajudando a preservar mais tecido saudável e planejar ressecções cada vez mais individualizadas.

3 · Ressecção

Segmentectomia anatômica: menos pode ser mais

Durante muitos anos, a cirurgia para o câncer de pulmão consistia, na maioria das vezes, na retirada de um lobo inteiro. Hoje, graças ao diagnóstico mais precoce e aos avanços tecnológicos, isso mudou: em pacientes cuidadosamente selecionados, é possível realizar uma segmentectomia anatômica — a retirada apenas do segmento pulmonar que contém o tumor, preservando o restante do pulmão.

O objetivo não é apenas remover o câncer, mas tratar a doença preservando a maior quantidade possível de pulmão saudável, sempre que isso for seguro do ponto de vista oncológico.

4 · Diagnóstico

Navegação broncoscópica: um "GPS" dentro do pulmão

Com o avanço da tomografia, diagnosticamos nódulos pulmonares cada vez menores — uma ótima notícia, já que quanto menor o tumor no momento do diagnóstico, maiores as chances de tratamento curativo. Mas surge um desafio: como localizar um nódulo de poucos milímetros, muitas vezes escondido no interior do pulmão?

A navegação broncoscópica usa reconstruções tridimensionais da árvore brônquica e sistemas de navegação semelhantes a um GPS para conduzir o broncoscópio até regiões muito periféricas do pulmão, auxiliando biópsias e, em alguns centros, a marcação pré-operatória de nódulos a serem removidos por cirurgia minimamente invasiva.

A tecnologia é uma ferramenta, não o objetivo

Nenhuma dessas tecnologias substitui o conhecimento anatômico, a experiência cirúrgica e a tomada de decisão do cirurgião. Elas existem para ampliar a precisão, reduzir a agressão cirúrgica e permitir tratamentos cada vez mais individualizados — não para "impressionar".

Tirando mais dúvidas

PO que é a fluorescência com indocianina verde (ICG) na cirurgia torácica?

É uma técnica que usa um contraste fluorescente, visualizado por câmeras especiais, para mostrar a perfusão sanguínea do pulmão em tempo real durante a cirurgia. Ajuda a delimitar com precisão o segmento pulmonar que será removido em uma segmentectomia.

PToda cirurgia de câncer de pulmão retira um lobo inteiro?

Não. Em pacientes selecionados, com tumores pequenos e bem localizados, é possível realizar uma segmentectomia anatômica, retirando apenas o segmento pulmonar comprometido e preservando o restante do pulmão saudável.

PComo a navegação broncoscópica encontra nódulos muito pequenos?

Utilizando reconstruções tridimensionais da árvore brônquica e sistemas de navegação semelhantes a um GPS, é possível guiar o broncoscópio até regiões periféricas do pulmão para biópsia ou marcação pré-operatória de nódulos pequenos.

Dr. André Miotto — cirurgião torácico EPM/UNIFESP

Autor do artigo

Dr. André Miotto

Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Especialista em Cirurgia Robótica — IRCAD e CBC

CRM 139035-SP  ·  RQE 58276

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