Mitos e Verdades · Cirurgia Torácica

Cirurgia de pulmão sempre retira o órgão inteiro?

É um dos medos mais comuns antes de uma cirurgia torácica — e, felizmente, na maioria das vezes não corresponde à realidade.

🗓 2 de agosto de 2026 ✍️ Dr. André Miotto · CRM 139035-SP · RQE 58276 ⏱ Leitura: ~5 min
3
tipos de ressecção pulmonar
5
lobos pulmonares ao todo (3 direito, 2 esquerdo)
Rara
frequência da retirada do pulmão inteiro
VATS
técnica preferida na maioria dos casos

Dr. André Miotto · Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP · CRM 139035-SP · RQE 58276

"Vou ficar com um pulmão só"

Quando um paciente ouve que precisa de "cirurgia no pulmão", a primeira imagem mental costuma ser drástica: perder o órgão inteiro. É compreensível — mas, na grande maioria dos casos, essa não é a realidade. O pulmão direito tem três lobos e o esquerdo tem dois, e a cirurgia moderna é planejada, sempre que possível, para remover apenas a parte doente, preservando o máximo de tecido saudável.

A retirada do pulmão inteiro — chamada de pneumonectomia — existe, mas é reservada a situações específicas, geralmente tumores centrais e extensos que não podem ser tratados de outra forma. Não é o padrão, é a exceção.

Os tipos de ressecção

Os 5 lobos pulmonares — vista frontal esquemática

Pulmão Direito · 3 lobos Lobo Superior Direito (LSD) Lobo Médio (LM) Lobo Inferior Direito (LID) Pulmão Esquerdo · 2 lobos Lobo Superior Esquerdo (LSE) Lobo Inferior Esquerdo (LIE) Uma lobectomia remove apenas um desses 5 lobos — os demais continuam funcionando

Ilustração esquemática, sem fins anatômicos exatos — apenas para visualizar a divisão dos lobos pulmonares.

ProcedimentoO que é removidoQuando é indicado
SegmentectomiaUm segmento pequeno do loboNódulos pequenos, função pulmonar reduzida, tumores iniciais selecionados
LobectomiaUm lobo inteiro (de 5 no total)O procedimento mais comum para câncer de pulmão em estágio inicial
PneumonectomiaO pulmão inteiroReservada a tumores centrais extensos, quando não há alternativa

A lobectomia é o procedimento mais comum

Para a maioria dos casos de câncer de pulmão em estágio inicial, a lobectomia — remoção de apenas um dos cinco lobos — é o padrão-ouro. O paciente segue com quatro lobos funcionantes, e a capacidade respiratória se adapta bem na maioria dos casos.

"Vou ficar com a respiração ruim para sempre"

O pulmão tem uma reserva funcional generosa — por isso a maioria dos pacientes retoma as atividades cotidianas normalmente após uma lobectomia ou segmentectomia. Há, sim, um período de adaptação nas primeiras semanas, com fisioterapia respiratória ajudando na recuperação, mas a limitação permanente e significativa é incomum quando a função pulmonar pré-operatória é adequada.

Antes de qualquer cirurgia, o Dr. Miotto avalia a função pulmonar do paciente com exames específicos (espirometria, por exemplo) — essa avaliação prévia é o que garante que a quantidade de pulmão removida seja segura para aquele paciente específico.

A técnica cirúrgica também importa: a maioria das ressecções pulmonares hoje é feita por videotoracoscopia (VATS) ou cirurgia robótica — incisões pequenas, menos dor, e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta tradicional.

Tirando mais dúvidas

PCirurgia de pulmão sempre retira o pulmão inteiro?

Não. A retirada do pulmão inteiro (pneumonectomia) é reservada a casos específicos. Na maioria das vezes, remove-se apenas um lobo (lobectomia) ou um segmento menor (segmentectomia).

PÉ possível respirar bem depois de remover parte do pulmão?

Sim. O pulmão tem boa reserva funcional. A maioria dos pacientes retoma atividades cotidianas normalmente após remover um lobo, especialmente com a reabilitação adequada.

PComo o cirurgião decide quanto remover?

A decisão considera o tamanho e a localização do tumor ou lesão, a função pulmonar do paciente antes da cirurgia, e o objetivo de preservar o máximo de tecido saudável possível.

Dr. André Miotto — cirurgião torácico EPM/UNIFESP

Autor do artigo

Dr. André Miotto

Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Professor da disciplina de Cirurgia Torácica

CRM 139035-SP  ·  RQE 58276

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