Mitos e Verdades · Cirurgia Torácica
Cirurgia de pulmão sempre retira o órgão inteiro?
É um dos medos mais comuns antes de uma cirurgia torácica — e, felizmente, na maioria das vezes não corresponde à realidade.
Mito
"Vou ficar com um pulmão só"
Quando um paciente ouve que precisa de "cirurgia no pulmão", a primeira imagem mental costuma ser drástica: perder o órgão inteiro. É compreensível — mas, na grande maioria dos casos, essa não é a realidade. O pulmão direito tem três lobos e o esquerdo tem dois, e a cirurgia moderna é planejada, sempre que possível, para remover apenas a parte doente, preservando o máximo de tecido saudável.
A retirada do pulmão inteiro — chamada de pneumonectomia — existe, mas é reservada a situações específicas, geralmente tumores centrais e extensos que não podem ser tratados de outra forma. Não é o padrão, é a exceção.
Entenda a diferença
Os tipos de ressecção
Os 5 lobos pulmonares — vista frontal esquemática
Ilustração esquemática, sem fins anatômicos exatos — apenas para visualizar a divisão dos lobos pulmonares.
| Procedimento | O que é removido | Quando é indicado |
|---|---|---|
| Segmentectomia | Um segmento pequeno do lobo | Nódulos pequenos, função pulmonar reduzida, tumores iniciais selecionados |
| Lobectomia | Um lobo inteiro (de 5 no total) | O procedimento mais comum para câncer de pulmão em estágio inicial |
| Pneumonectomia | O pulmão inteiro | Reservada a tumores centrais extensos, quando não há alternativa |
A lobectomia é o procedimento mais comum
Para a maioria dos casos de câncer de pulmão em estágio inicial, a lobectomia — remoção de apenas um dos cinco lobos — é o padrão-ouro. O paciente segue com quatro lobos funcionantes, e a capacidade respiratória se adapta bem na maioria dos casos.
Mito
"Vou ficar com a respiração ruim para sempre"
O pulmão tem uma reserva funcional generosa — por isso a maioria dos pacientes retoma as atividades cotidianas normalmente após uma lobectomia ou segmentectomia. Há, sim, um período de adaptação nas primeiras semanas, com fisioterapia respiratória ajudando na recuperação, mas a limitação permanente e significativa é incomum quando a função pulmonar pré-operatória é adequada.
Antes de qualquer cirurgia, o Dr. Miotto avalia a função pulmonar do paciente com exames específicos (espirometria, por exemplo) — essa avaliação prévia é o que garante que a quantidade de pulmão removida seja segura para aquele paciente específico.
Perguntas frequentes
Tirando mais dúvidas
Não. A retirada do pulmão inteiro (pneumonectomia) é reservada a casos específicos. Na maioria das vezes, remove-se apenas um lobo (lobectomia) ou um segmento menor (segmentectomia).
Sim. O pulmão tem boa reserva funcional. A maioria dos pacientes retoma atividades cotidianas normalmente após remover um lobo, especialmente com a reabilitação adequada.
A decisão considera o tamanho e a localização do tumor ou lesão, a função pulmonar do paciente antes da cirurgia, e o objetivo de preservar o máximo de tecido saudável possível.
Continue lendo
Mais sobre cirurgia torácica
Autor do artigo
Dr. André Miotto
Cirurgião Torácico · EPM/UNIFESP
Mestre e Doutor em Cirurgia — UNIFESP
Professor da disciplina de Cirurgia Torácica
CRM 139035-SP · RQE 58276
Avaliação
Tire suas dúvidas antes da cirurgia
Cada caso é único. Agende uma consulta para entender exatamente o que sua cirurgia envolve.
📍 Av. Juscelino Kubitschek, 180 — 12º andar · Itaim Bibi · São Paulo – SP | (11) 95242-2295